O aquecimento da televisão

Marshall McLuhan dividiu, na década de 1960, os meios de comunicação em quentes e frios. Uma das características dos meios quentes, como o cinema, é a alta definição. A televisão foi classificada como um meio frio. Por oferecer menos informações, o meio frio exige uma participação maior do receptor.

Acontece que, com a tecnologia digital de alta definição, a TV se tornou um meio quente, como o cinema e, por causa disso, exigiria uma participação menor do espectador, o que é um desafio quando se planeja as aplicações de interatividade.

No seu livro Os meios de comunicação como extensões do homem (Understanding media), de 1964, McLuhan escreveu:

“Tecnicamente, a TV tende a ser um meio de primeiros-planos. No cinema, o close-up dá ênfase; na TV, é coisa normal. Uma foto brilhante do tamanho do vídeo pode mostrar uma dúzia de caras com muitos pormenores, mas uma dúzia de caras no vídeo forma apenas uma mancha.”

Agora, com a alta definição, a dúzia de caras deixa de ser uma mancha.

3 respostas para O aquecimento da televisão

  1. Marcio disse:

    A tendência da TV HD esquentar é muito interessante. Na minha opinião, algumas condições quentes do cinema nunca chegarão a TV, mesmo num futuro 2 ou 4k.
    Também não concordo c/ aqueles puristas que acham que só a latitude da película permite a arte.
    Além do áudio 5.1, acho que as condições ininterruptas como a de assistir uma sessão de cinema, numa sala apropriada, nunca serão cabíveis no ambiente domiciliar que a TV reside conosco. Também entendo um estágio evolutivo de percepção das gerações mais recentes devido a crossmídia intensa a que frequentemente somos submetidos.
    A TV interativa terá um apelo muito interessante de participação se for inteligentemente usada com menus que desvendem labirintos curiosos e atraentes, assim como num game. Para esta possibilidade também imagino uma tv menos coletiva, mais individual.

  2. Não sei, algo me diz que qdo McLuhan, escreveu sua teoria, ele estava deixando claro que os meios frios de comunicação, além de terem uma complexidade menor, era muito mais fraca, porém de apelo comunicativo para quem “emite” muito mais forte. Sendo essa força, que ele o autor observava, força que estava implícita não no baixo grau de interatividade desses meios. Mas explícitos como meios mais utilizados pelas massas. Ou seja, seriam meios de comunicação mais frios, por poderem emitir e não receber nada. E serem as unicas alternativas de percepção do mundo em just in time. Contudo frios por oferecerem a informação e não transcederem a contra-informação. Apenas a manipulação explícita.
    Hoje por sua vez, não podemos determinar uma televisão que se torna um meio quente. Mas sim uma dissidência desse meio para uma forma de meio mais quente. Porém com o mesmo McLuhan observa, a velha televisão, ainda será um meio frio, porque essa dissidente não estará na mão da massa, como fonte alternativa de comunicação. Por dispositivos previstos pelo próprio autor, essa dissidência, ou uma nova televisão, será ainda tão magnifica como o cinema na década de 60. Uma forma esporádica, dominical. E que talvez nem a massa terá esse evento esporádico.
    Porque as formas de comunicação da velha tv, ainda é uma solução, e um excelente instrumento para alguns que detém o poder. E é incrível, que Mcluhan distinto dos outros, não determina a tv velha como um fenomemo poderoso, Mas um objeto frio para os poderosos, que estão acostumados a dizer e não querer ouvir. Apenas falar.
    A velha Tv ainda ficará por muito tempo. Não só aqui no Brasil como no resto do mundo. E dizem alguns que ela ficará ainda por muito tempo inclusive nos países de maior força capital.
    Ela só deixará de existir, qdo os técnicos, tiverem o conhecimento concreto com os que fazem comunicação e contruirem uma TVDigital que seja pseudo-interativa. Então ela voltará a ser fria.
    Porque Pseudo interativa? Por que, quem programa um sistema, sabe que mesmo que se preocupe a fazer um sistemas de opções, em menu por exemplo, chega uma hora em que se precisa dar um ponto de sem fim, e que o fim retorna ao começo, nas diversas possibilidades de navegação. Ou seja, a navegação tem combinações finitas, dependendo exclusivamente da quantdade de caminhos que o programador oferece. Já na década de 70 se falavam de Sistemas Abertos. Em que a navegação era aumentada pelo acrescimo de informação por quem navega. Hoje teríamos o exemplo dos Wikis.
    Será que a televisão Digital chegaria a esse ponto? De ser aberta, pelos que estão de fora contruirem mais caminhos que ela tenta mostrar?
    Por isso acredito que ela no final se tornará uma velha TV num meio frio, pois alguém barrará a infinitude de opções de navegação, por consequência a interatividade, e será a grosso modo o retorno.
    Creio que McLuhan apenas declarou como Frio de frieza mesmo da comunicação.

  3. Também não sei…
    Ao atualizar os conceitos de meio frio e meio quente de McLuhan para a Televisão Interativa, tendo a pensar o contrário: já que o conceito de frio se deve ao esforço do espectador necessário para que a mensagem do meio se complete, não seria a TV Interativa um dispositivo que exige ainda mais esforços e ações do observador?

    Apesar de a televisão ter alcançado uma definição de imagem comparável ao do cinema ( o que a tornaria quente), ela também passa a adquirir outras propriedades que demandam esforço do observador ( como a demanda por conteúdos, a busca por informações simultâneas ao programa, etc).

    Também tendo a crer que não se trata mais de meios frios e quentes. O próprio conceito de meio nos parece um pouco confuso agora com as novas tecnologias digitais. Mas quem sabe trata-se de uma questão de interface ou de software, afinal todos os meios convergem para o digital e o que os tornariam quentes ou frios, ricos ou pobres talvez estivesse mais relacionado a outras características.

    Para ilustrar e fomentar a discussão Mcluhiana, segue um trecho de seu livro “Os meios de comunicação como extensão do homem”.

    “Se alguém perguntasse se tudo isso não mudaria, caso a tecnologia acelerasse o caráter da imagem da TV até aproxima-la do nível de dados-informação do cinema, bastaria responder com a pergunta: “Podemos alterar uma caricatura, acrescentando detalhes de perspectivas de luz e de sombras?.” A resposta é “Sim” – só que já não seria mais uma caricatura. Nem a TV “aperfeiçoada” seria mais televisão.” (MCLUHAN, 1964: p. 352)

    E uma pergunta: o que seria, hoje, a televisão ?

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